A relação entre vitamina D e câncer de mama tem sido amplamente estudada nos últimos anos e muitos pacientes perguntam se a suplementação poderia ajudar na prevenção ou no tratamento. A resposta exige cautela, mas a ciência tem avançado com dados cada vez mais consistentes.
Alguns estudos já observaram que níveis adequados de vitamina D parecem estar associados a melhores desfechos em pacientes com câncer de mama. Em uma análise com aproximadamente 70 mil mulheres apresentada em 2024 no maior congresso de oncologia, organizado pela Sociedade Americana de Oncologia (ASCO), a deficiência de vitamina D esteve ligada a um risco aumentado de desenvolvimento da doença. Em uma das coortes avaliadas, pacientes com níveis abaixo de 20 ng/mL apresentaram maior incidência de câncer de mama quando comparadas àquelas com níveis acima de 30 ng/mL.
O impacto foi ainda mais evidente em mulheres pós-menopausa com vitamina D < 20 ng/mL, que exibiram um risco aproximadamente 45% maior de desenvolver câncer de mama. Em mulheres na pré-menopausa, esse aumento também foi identificado, embora em menor magnitude.
Outro estudo relevante, publicado no JAMA¹, avaliou pacientes já diagnosticadas com câncer de mama e demonstrou que níveis adequados de vitamina D estão associados a menor risco de recorrência e mortalidade. Embora esses resultados sejam observacionais e não estabeleçam causalidade, reforçam a importância de avaliar o status nutricional como parte da abordagem global da paciente oncológica.
E qual é o nível ideal de vitamina D?
A recomendação atual para pacientes oncológicas é manter níveis séricos entre 30 e 50 ng/mL. Valores entre 20 e 30 ng/mL configuram insuficiência, enquanto níveis abaixo de 20 ng/mL representam deficiência. A suplementação deve ser individualizada, preferencialmente orientada por um médico, considerando fatores como exposição solar, dieta, idade, presença de osteopenia/osteoporose e comorbidades renais.
Além disso, a vitamina D desempenha papel essencial na saúde óssea, ajudando na absorção de cálcio e na prevenção de osteoporose. Isso é particularmente relevante para mulheres com câncer de mama em uso de inibidores de aromatase, que podem acelerar a perda mineral óssea.
A vitamina D, embora não seja um tratamento para o câncer de mama, integra um conjunto de fatores importantes para a saúde global da mulher e pode influenciar positivamente alguns desfechos oncológicos. Manter níveis adequados é simples, acessível e traz benefícios adicionais para a saúde óssea e metabólica.