Há muitas razões para evitar alimentos ultraprocessados. Além de aumentar o risco de câncer de mama, há aumento no risco de doença cardíaca, diabetes e obesidade.
Alimentos ultraprocessados contêm ingredientes ou classes de aditivos cuja função é tornar o produto mais palatável ou mais atraente. Esses ingredientes encontrados em refrigerantes, salgadinhos, sopas industrializadas, nuggets de frango, sorvetes, biscoitos recheados, fast-food e embutidos podem incluir conservantes contra fungos e bactérias, corantes artificiais, emulsificantes que evitam separação dos componentes, além de açúcares, sal e gorduras.
Em um grande estudo americano¹ que acompanhou quase 450 mil pessoas/ano, os pesquisadores analisaram a relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e a incidência de mortalidade por câncer de mama. Foram identificados 2.245 casos de câncer de mama e 270 mortes por essa doença. Após ajustes para possíveis fatores de confusão, o consumo de alimentos ultraprocessados foi associado a um risco 16% maior de desenvolver câncer de mama e mostrou tendência de maior mortalidade. As análises de subgrupos revelaram associações mais fortes para mulheres com mais de 65 anos, com consumo de álcool e com histórico familiar dessa neoplasia.
Uma metanálise² envolvendo quase 500 mil participantes mostrou que cada incremento de 10% no consumo de ultraprocessado correspondia a, aproximadamente, 5% a mais de risco de câncer de mama.
Uma outra metanálise recente³ mostrou que o alto consumo de fast-food estava associado a um risco 25% maior de câncer de mama em relação a um baixo consumo.
O que nós vemos nesses estudos é uma tendência consistente de aumento do risco de câncer de mama com o consumo de ultraprocessados. Apesar de fatores como obesidade, estilo de vida e consumo de álcool serem ajustados, não dá para excluir totalmente os vieses de confusão.
No entanto, com base nessas evidências, é prudente orientar nossas pacientes a reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. Essa recomendação vai além da possível associação com câncer de mama: envolve também o controle de peso, a melhora da qualidade nutricional da dieta, a redução da ingesta de aditivos e substâncias potencialmente tóxicas, além do impacto positivo na saúde metabólica, inflamação sistêmica e bem-estar geral.
Uma alimentação equilibrada rica em frutas, vegetais, fibras, grãos integrais e carnes magras continua sendo a opção mais sólida para prevenção do câncer de mama.
Prevenção começa no prato. Que nossas escolhas diárias reflitam o princípio de descascar mais e desembalar menos.
Referências Bibliográficas:
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Chen B., Liu H., Wang R. et al. Ultra-processed food consumption and the risk of breast cancer incidence and death: a prospective cohort study. Sci Rep
2025). https://doi.org/10.1038/s41598-025-29773-x
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Shu L, Zhang X, Zhu Q, Lv X, Si C. Association between ultra-processed food consumption and risk of breast cancer: a systematic review and dose-response meta-analysis of observational studies. Front Nutr. 2023 Sep 4;10:1250361. doi:10.3389/fnut.2023.1250361.
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Karimi M, et al. Consumption of fast foods and ultra-processed foods and breast cancer risk: a systematic review and meta-analysis. Glob Health Res Policy. 2025.